1.5.07

La Vida es un Ratico...

Juanes
Depois de não aparecer publicamente nos cenários desde a conclusão de sua extensa turnê mundial em agosto do ano passado, Juan Esteban Aristizábal, mais conhecido como Juanes, vencedor de 12 Grammy’s Latino, super-estrela colombiana do rock, foi um dos convidados à cerimônia dos prêmios Billboard da Música Latina, celebrado na última quinta-feira, dia 26 de abril em Miami, onde falou sobre seu quarto disco e chamou a atenção de dezenas de jornalistas locais e internacionais com seu novo visual de cabelo curto.
Com seus três já lançados álbuns em espanhol - Fíjate Bien, Un Día Normal e Mi Sangre -, o astro vendeu milhões de cópias na América Latina, Espanha e países tão culturalmente diferentes como Estados Unidos, Japão, Suécia, Finlândia e Alemanha. O último já ultrapassou a marca de 4 milhões de discos vendidos.
Foi intitulado “La Vida Es Un Ratico”, que é uma frase que ouviu da sua mãe recentemente depois da morte de uma tia de 98 anos. Na ocasião, recordando juntos sua infância, sua mãe lhe disse “Não se preocupe meu filho, pois a vida é um ratico” (não há uma tradução exata para a palavra ratico, no site oficial tem a tradução para o inglês ‘The life is a moment’, o que seria traduzido como ‘A vida é um momento’). Seguindo estas palavras de sabedoria, o disco é um lembrete de que a vida pode passar em um abrir e fechar de olhos e, portanto, deveríamos nos concentrar nas relações pessoais importantes com a família e os seres queridos e buscar viver uma vida de liberdade pessoal e paz, deixando de lado o trivial.
As canções do cantor-compositor de seu próximo disco foram suas filhas Luna (3 anos) e Paloma (2 anos em junho) que aprovaram ao dançá-las durante o último ano que o artista trabalhou suas idéias refugiando-se no seu lar rodeado de montanhas nos arredores de Medellín, Colômbia, sua cidade-natal. “Sentia uma necessidade imensa de voltar para casa, de estar no lugar onde nasci e estar nessas montanhas que me dão tanta energia e inspiração”.
Juanes, que é de novo co-produtor, detalhou que o disco sairá ao mercado em setembro ou outubro, pois já terminou a pré-produção e começará a gravar por estas semanas em Los Angeles, Estados Unidos, com Gustavo Santaolalla, ganhador de dois prêmios Oscar. Também expressou entusiasmo e sua admiração e respeito por Santaolalla e recordou que conhecê-lo há 7 anos foi uma “benção” porque foi um pilar-chave em sua carreira como solista quando emigrou para os Estados Unidos.
Pontuou que não pensa cantar em inglês e explicou que o disco fala “muito dos problemas sociais da América Latina, em especial da Colômbia”. “Tenho pensamentos e idéias de meu país e das injustiças que não estou de acordo, mas falo com um espírito otimista”, completou.
Ao perguntarem se poderia internacionalizar seu som, disse que “para ser internacional primeiro tem que ser local”. Também destacou não estar interessado em gravar ritmos como o reggaetón, ao assegurar que é muito fiel à sua música. “Sou de Medellín e não me interessa mudar”. Porém disse respeitar o gênero, do qual admira a música dos porto-riquenhos Tego Calderón e Calle 13. A única música que gravou nesse estilo foi o trio que realizou com Tego e o colombiano, Rei da Guasca que faleceu recentemente, Octavio Meza para o disco deste último.
O cantor, que cria seus êxitos musicais improvisando melodias para depois compor a lírica, adiantou que o álbum soa “muito colombiano”, onde fusiona seu rock com sons colombianos ainda mais nativos como a Guasca, a Cumbia e o Vallenato, assim como outros estilos latinos, tais como o bolero e o tango. Realizado nesse ano de descanso que tomou, delimitou que “é um disco bem viajante, mas terminei em Medellín”.
Ele se considerou um artista “empírico” que quando chega a inspiração escreve suas canções em seu “blackberry”. Com várias canções sobre temas sociais como as vítimas das minas anti-pessoas, disse que usa a música como arma para “denunciar algo que está acontecendo” e considerou a música poderosa, pois “se Alejandro Sanz ou Shakira disser algo, alguém vai escutá-los”. Em suas criações, trata de ser positivo e ainda esclareceu que “sou músico e escrevo sobre o que sinto”.
O astro, por outro lado, anunciou que recentemente graduou-se em Desenho Industrial na colombiana Universidade Pontifícia Bolivariana, depois de 10 anos haver iniciado seus estudos. O artista enumerou, também, as cinco piores conseqüências de ser Juanes: “estar longe de minhas filhas; madrugar; ter que viajar de avião; ter que fazer divulgações; e ter que me privar de fazer coisas normais”.
Durante a hora que durou a conferência, Juanes pôs especial atenção em explicar detalhes do começo e da missão de sua fundação “Mi Sangre” que ajuda as vítimas das minas terrestres de seu país. Segundo o Monitor Mundial de Minas, Colômbia ocupa o primeiro lugar com mais minas anti-pessoas com uma incidência de uma vítima a cada 8 horas e uma média de 3 vítimas diárias.
“A música pode ser mais produtiva. Mais além dos concertos, pode mudar vidas”, mencionou o também membro da Fundação Alas, presidida pelo escritor colombiano Gabriel García Márquez, e da organização ‘Unidos por Colômbia’.
Depois de aconselhar os jovens cantores-compositores que o perguntavam sobre os passos para chegar ao sucesso, dizendo “o mais importante é ser autêntico e levar a música no coração”, Juanes expandiu sobre sua discográfica ‘4Jotas’ que apóia o talento colombiano a nível mundial. E contou que as últimas canções que comprou para seu iPod foram “todos os discos do (músico argentino) Andrés Calamaro”.


Juanes: “Fazer música é um rito sagrado”
Para Juanes o processo de criação musical “é duro, às vezes tormentoso”, e a música “um rito sagrado” que lhe permite mostrar sua identidade colombiana. Por isso sentiu a necessidade de voltar às suas raízes em Medellín para juntar energias e terminar ali seu novo álbum. “A música é uma conexão com algo espiritual, com algo interior muito forte”.
Sentado em um palco junto à entrevistadora colombiana Leila Cobo, Juanes esclareceu que apesar de ser duro compor, “há canções mágicas que chegam em 20 minutos”, como seu sucesso “A Dios le Pido”.
“Durante muitos anos queria encontrar a identidade no que não era, até que depois de muitos anos entendi que minha música é de Medellín”, manifestou o famoso cantor e compositor. “Eu quero seguir modelando o que sou em minha música”, disse e arrancou aplausos entre os cerca de 300 jornalistas, estudantes, especialistas da indústria musical e fanáticos. “Sempre quero aprender e ser o melhor no que faço”.
A sessão de perguntas e respostas foi um dos eventos mais importantes da Conferência Billboard, um dos encontros mais antigos da indústria que convocou mais de 1000 participantes e que culmina com a entrega dos prêmios.

Nenhum comentário: